Polaroid de loucura ordinária - O relato escrito de uma vida profuga.

04/04/2005 01:01
ABSOLUTE NE ME QUITTE PAS
OU "QUANDO OS BLUE MEANIES INVADIRAM PEPPERLAND"



Pois é, meu bem...
Parece que eu já sei o que responder ao teu poema.
Aquele, que me escrevestes perguntando o que eu faria se me deixasses... Lembra? Foi tua primeira composição em português, ainda engatinhando, mas tão clara e singela...
Pois é.
Eu sei o que responder à tua pergunta, meu bem.
Te lembras da minha nacionalidade?
Pois bem.
Eu sou brasileiro. Isso basta como resposta.
Já tu, me parece que não seguistes muito à risca o que escrevestes. Te lembras que no mesmo poema me respondestes a um poema-pergunta que eu havia escrito, perguntado o que tu farias se eu te deixasse? Tu te lembras de quando nos dissemos que se algum dia chegássemos a terminar, um cobraria uma atitude do outro usando o poema como argumento? Pois aqui está minha argumentação...
De todas as ações prometidas no poema, nenhuma foi seguida... Alguns versos me são particularmente encorajadores: “(...) não me apaixonaria/se não fosse de você/de novo, meu amor(...)” “(...)Não te trocaria/não faria sentido/‘sin estar contigo’/ninguém a não ser você(...)” Pois é...
Principalmente os últimos versos, que me soaram como os mais sinceros do poema todo:

“(...)E você, meu amor/o que faria/se eu te deixasse?/Me mataria, odiaria/ou, simplesmente,/Como eu/ Cantaria à vida/Esperando só pra você voltar?”

Parece que eu agi mais, não é? Parece que eu, apesar de ter cometido o erro maior, tentei me redimir, me despojei de toda minha arrogância, chorei, gritei, sofri, senti a dor, a ferida aberta, de fora a fora no meu peito que nunca sentiu dor assim, por ninguém antes, perdi meu orgulho, que nunca desapareceu por ninguém assim antes, mesmo que afirmes o contrário, me joguei inteiramente nesse labirinto absurdo que construístes ao teu redor pra me impedir de me aproximar, esse medo inventado... O único medo que tens realmente é de me olhar nos olhos e me mentir, dizendo que o teu amor por mim morreu.
Você é um precipício, meu amor. E eu me entreguei à queda completamente. Me entreguei a você como jamais a ninguém. Ninguém antes me beijou como você. Ninguém nunca me tocou como você. Nada me olha como se eu existisse. E você agiu como se eu existisse. Mas como tudo na minha vida, você passou. Eu te imploro: não me odeies. Não me esqueças. Não te esqueças de que um dia fostes minha, e eu fui teu, e o mundo não existia. Não te esqueças de que um dia te entregastes a mim, e eu a ti, e fomos felizes, ainda que por um minuto. Não te esqueças que um dia nos juramos amor eterno, fidelidade absoluta e nos prometemos que nunca nos abandonaríamos. Não te esqueças que a pessoa que mais te ama no mundo, nunca mais será tão feliz como foi ao teu lado, porque jamais encontrará alguém que o ame tanto quanto tu o amastes. E não amará a ninguém como te ama a ti. E não te esqueças que a maldição das juras de amor se entendem também a ti. Nunca mais serás tão feliz como o fostes ao meu lado. Nunca mais amarás a ninguém como me amastes a mim. Não te esqueças que a pessoa que mais te ama no mundo foi considerada um marginal pelos teus pais, sem o ser. E que acreditastes neles. Nunca te esqueças que passastes mais de 1 mês sem falar com a pessoa a quem entregastes teu coração, pura e sinceramente. Não te esqueças que nesse 1 mês, feristes mais a mim do que eu a ti em 2 anos de relacionamento. Não te esqueças de que me jurastes que nunca ias me abandonar. E me abandonastes. Não te esqueças de que uma noite, chorando barbaramente, a pessoa que mais te ama no mundo te escreveu esta carta e que o sofrimento era tamanho que se podia tocá-lo, era sólido. Não te esqueças que os nomes de nossos filhos seriam Valentina e César Augusto. Não te esqueças de que muito do que você sabe sobre relacionamentos, eu te ensinei. Não te esqueças de que eu nunca te traí, mesmo tendo tido oportunidade. Não te esqueças que te preservei durante 2 anos. Não te esqueças, de que no dia em que entrares na igreja, de véu, grinalda, vestido branco e bouquet, eu vou estar no último banco da igreja, e vais te lembrar do bouquet que apanhastes no casamento da minha prima. E vais chorar. E todos na igreja dirão: “Veja como ela está emocionada!” “Como é sensível!”, e por dentro, teus pensamentos não deixarão de vagar em minha direção. Nesse momento, eu quero estar na última fila da igreja, vendo a minha namorada, a minha ex-futura esposa, se entregando em matrimônio a outro homem. E quero sentir o sofrimento me destruir por dentro, a dor lancinante abrindo-me violentamente o tórax, arrancando-me os intestinos, o fígado, o coração. Quero chorar até desidratar. Quero morrer, ali, naquele banco de igreja, enquanto você engana teu coração, mente pra si própria, simplesmente por medo de se arriscar a me dar a última chance, a chance que ia te provar de que um homem é capaz de mudar pelo amor que sente, pela mulher a quem ama. E todos os dias da tua vida, com seus problemas cotidianos, com a luta diária, com filhos e contas e pequenas alegrias em família, a dúvida te corroerá as entranhas, e as saudades te aquecerão a alma a ponto de sufocares. Sentirás minha falta de tal maneira que despertarás de madrugada, 3, 4 da manhã. E teu marido será infeliz pela tua infelicidade. De madrugada, te sentarás na sacada de teu quarto, olhando as estrelas de uma noite fresca de outono e então a grande pergunta se instalará, gravada a fogo, definitivamente na tua alma: “E se eu tivesse voltado pro Victor?”.
Mas aí, meu bem, talvez seja tarde demais...
Acima de tudo, não te esqueças de que hoje é dia 4 de Abril. O dia que me remete ao 4 de Abril de 2003, o dia em que Deus me abençoou com a maior dádiva da minha vida inteira. O nosso dia. O dia que jamais esqueceremos. Sempre teremos o dia 4 de Abril.
Te amo, ainda que me odeies. Te amo, ainda que me esqueças, ainda que me mates. Te amo, ainda que a ti nada importe. Te amo, ainda que não me perdoes nunca mais na minha vida. Te amo, ainda que eu seja condenado a nunca mais te olhar nos olhos, tocar teu rosto, cheirar teus cabelos, beijar tua boca... Ainda que seja condenado a ser eternamente infeliz longe de ti. Te amo, hoje mais que ontem e menos que amanhã.
Te amo 4 ever, conforme o prometido.

Salve 4 de Abril de 2005


OUVINDO: Simon & Garfunkel - Mrs. Robinson
enviada por _Seamus_






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