Polaroid de loucura ordinária - O relato escrito de uma vida profuga.

26/08/2006 06:19

A VIDA É CONSTANTE MUDANÇA...

... e alguém poderia me dizer onde está o controle remoto.





Pois é. Hoje é... *checa o celular* 26 de agosto, sábado, portanto.
Dois mil e seis. A última vez que postei foi em 4 de abril, dois mil e cinco. Realmente um longo silêncio. O importante é que tive tempo de reorganizar meus pensamentos, minha rotina, meus conceitos, minhas prioridades, minha vida, enfim.
Acredito que seja importante começar enumerando as novidades, afinal, não vou fazer um resumo de um ano de vida, muitas coisas aconteceram e eu levaria séculos escrevendo, e, além do mais, ninguém lê isso, mesmo.
Às novidades: Conheci muitas pessoas interessantes, outras nem tanto, algumas que me trouxeram alegrias, outras me irritaram sobremaneira. Descobri que não sou insubstituível, mas não perdi minha altivez por isso. Descobri também, que amigos são realmente importantes, quando se pode contar com eles. Fiz amizades inestimáveis. Fiz inimigos mortais. Comecei a escrever um livro, algum dia deixo um excerto aqui. Amadureci um bocado, apenas o suficiente pra olhar pra trás e pesar o que fiz e o que deixei de fazer, sem mágoas ou ressentimentos, assistindo às minhas memórias como a um filme, sem me envolver com a trama, sem reviver o sofrimento ou as alegrias. E, acreditem, o saldo é positivo. Retomei amizades que julgava mortas, e, no entanto, se revelam mais florescentes do que eu poderia imaginar. Redescobri o prazer do sorriso. Redescobri os prazeres simples e pequenos da vida. Me lembrei de que nasci sozinho e que não preciso estar grudado a ninguém para ser feliz. Me lembrei também, que, independente do que aconteça, se estamos vivos ao fim do dia, foi um bom dia. Lembrei que sempre é possível recomeçar. Sempre é possível, e muitas vezes necessário mudar. Pensei que o amor fosse uma utopia inatingível, uma estrela inalcançável que se vê, se conhece a existência, mas não se pode tocar. E, thank God, lembrei que ele já esteve comigo uma vez, e que outras viriam, e que talvez nenhuma fosse pra sempre, mas que todas seriam válidas. Conheci a efemeridade de tudo. Tudo mesmo. Tudo passa. Mas também descobri que é preciso separar o que passa do que fica. O inevitável é inevitável, mas passa. Ficam as lições do inevitável. Tive de aprender comigo mesmo. Tive de encontrar apoio em mim mesmo. Tive de redescobrir minha fé. Minha fé na humanidade, minha fé em mim, minha fé no que aprendi. Minha fé em Deus. Voltei a ser um católico praticante. Comecei a usar óculos. Voltei a dar aulas de inglês. Tentei e fui derrotado centenas de vezes. Mas em todas as quedas me levantei. Me levantei, e vou me levantar sempre, ainda que com um travo de amargura por ter beijado o chão, me ferido, me sujado por nada, mas me levantando sempre. Me levantei de tal maneira que hoje sou capaz de ver o horizonte. Enxergo perspectivas, planejo, sonho. E luto por meus sonhos. Descobri que a vida é uma TV, e nem sempre somos nós que seguramos o controle remoto. Algumas mudanças são construtivas, outras nos destroem com a convicção de uma Globetrotter. Descobri que não importa que está agora com você. Importa quem sempre estará.

A PERSPECTIVAS MENOS MELANCÓLICAS: Se é que as há.
Conheci um mundo que eu pensei só existir nos meus sonhos. Não sei o que aconteceu de lá pra cá, mas o fato é que muitas bandas começaram a beber da sagrada fonte deixada jorrando pelos Beatles na década de 60, e eis que surge uma safra de bandas incríveis pra poupar meus ouvidos do lixo predominante na programação radiofônica pasteurizada de hoje, terrivelmente influenciada pela TV e por modas ridículas e totalmente sem bandeira, lenço ou documento. Essas bandas são muito anti-comerciais, assim como Pink Floyd foi em sua época. São desconhecidas da massa ignorante, assim como Iron Butterfly em seu auge. São ouvidas pelos "eleitos" de uma geração que soube ser receptiva aos ventos da mudança, mas que felizmente constituem uma insignificante minoria. Digo felizmente porque tudo que cai no gosto do povão, da turba ignara, acaba virando moda, se pasteuriza, se lapida ao gosto da indústria fonográfica e vira uma merda enlatada com sabor de nada com molho de bosta nenhuma. Prefiro os independentes. Essas bandas conquistaram seu público, que, obviamente, começa a cortar o cabelo assim, se vestir assado, gostar disso e odiar aquilo, falar desse jeito, fazer tal coisa e não fazer outra, porque toda "tribo urbana" carece de identificação grupal. E, como não poderia deixar de ser, colaram uma etiqueta na testa dos integrantes de tais grupos: como as bandas favoritas são independentes, indies cai muito bem. E tome rótulo. Se me perguntarem se sou indie, vou responder que me chamem do que quiserem (só não chama de viado nem ofende a mãe que eu fico puto). Já fui chamado de indie, hype, leet, mod, alternativo, underground, isso e o caralho. Acho que, como o Cacá, sou um "moderninho safado", ou até menos moderninho. Sei lá, não tô acostumado a ser tratado como mercadoria. Gosto do estilo musical que me agrada, falo como me agrada, me visto como me permitem as finanças e não como me ditam as normas de conduta deste ou daquele grupo. Fodam-se.
Anyway, recomendo algumas bandas: Arctic Monkeys, Modest Mouse, Interpol, White Stripes, Yeah Yeah Yeahs, Death Cab For Cutie, Raconteurs, Datsuns, Clap Your Hands, Say Yeah!, Franz Ferdinand, Hot Hot Heat, Jet, Kings of Leon, Raveonettes (super vanguarda sessentista), Kills, e com isso já dá pra começar a curtir.

AOS PLANOS: Esses os há em abundância.
Vamos por ordem de prioridades:
-Passar no Vestibular. Nem que eu tenha que prestar arquivologia.
-Terminar meu livro ainda este ano. Tem ido muito bem, obrigado.
-Encontrar aquela guria, que venho procurando há tempos, e que, inconscientemente, tem me buscado também. Nós vamos saber quando nos encontrarmos.(Alguém, por favor, me diz que ela existe...)
-Arrumar um emprego ainda melhor, que esse de professor é bom, mas já começa a me encher o saco...
-Viajar
-Estreitar laços de amizade com um pessoal bacaninha que eu conheci
-Verificar se aquela guria é aquela mesmo. A Sra. Della Maggiore Armentano sabe de quem se trata. (By the way, ela tem orkut?)
-Assistir ao YYY's em Sampa, no TIM Festival, em outubro!!! \o/
-Depois da faculdade, pós-graduação, é claro...
-Quem sabe constituir família e tudo mais, bem clichê...
-Continuar aprendendo, sempre.
-E ensinando, também, porque não?
-E ser feliz para sempre. Hehe!

A vida, muitas vezes, é um professor cruel. Mas é tudo questão de se acostumar à sua metodologia...




Independente do que aconteça, o Sol sempre se levanta novamente.
É ótimo estar de volta.
=*

Ouvindo: Clap Your Hands, Say Yeah! - Over and over again (Lost and Found)
enviada por _Seamus_